Um estudo publicado na Marine Resource Economics, liderado pela Woods Hole Oceanographic Institution (WHOI), analisou a relação entre a saúde dos recifes de corais e a produção pesqueira, focando em nove pescarias dependentes da Grande Barreira de Corais, na Austrália. A pesquisa de 2016 a 2020 indicou que uma grande perda de corais pode ocorrer se a restauração dos recifes não for priorizada. Esses ecossistemas são fundamentais para a sustentabilidade das pescarias, e a degradação pode afetar a produtividade.

Em 2024, a Grande Barreira de Corais enfrentou um dos piores eventos de branqueamento de sua história, com 73% dos recifes sendo afetados. O branqueamento ocorre quando os corais expulsam as algas zooxantelas devido ao estresse causado pelo aumento das temperaturas oceânicas. Se esse aquecimento continuar, as algas podem não retornar, deixando os corais em risco de morte e impactando diretamente a biodiversidade marinha e as atividades pesqueiras.

O estudo destacou duas espécies, a truta-de-coral e o pargo-de-cauda-sela, como as mais vulneráveis, já que dependem dos recifes externos para sobreviver. Caso a cobertura de corais vivos da Grande Barreira de Corais seja reduzida de 30% para 25%, o rendimento máximo sustentável dessas pescarias pode cair significativamente, afetando especialmente a truta-de-coral e o pargo-de-cauda-sela, com quedas de até 56% no rendimento.
A pesquisa também ressaltou que a indústria pesqueira de Queensland, que gera entre $27 a $31 milhões, será fortemente impactada por essas mudanças. A perda de corais não afeta apenas o ecossistema marinho, mas também pode levar à perda de empregos e à redução das exportações pesqueiras, tendo grandes repercussões econômicas. Embora o estudo não tenha feito previsões monetárias, os efeitos já são visíveis.