As pescarias de pequena escala desempenham um papel essencial na produção global de alimentos aquáticos, contribuindo para a segurança alimentar, nutricional e socioeconômica, segundo estudo publicado na revista Nature. Este trabalho, conduzido por cientistas internacionais, é o primeiro a quantificar rigorosamente a relevância dessas pescarias marinhas e continentais no contexto global. Apesar de representarem quase metade da captura mundial, elas têm sido marginalizadas em políticas de gestão de recursos e sistemas alimentares.

Definidas por práticas de pesca menos tecnológicas e mais intensivas em mão de obra, especialmente em países de renda baixa e média, essas pescarias fornecem sustento para cerca de 500 milhões de pessoas, das quais quase metade são mulheres. As contribuições nutricionais também são notáveis: elas garantem 20% da ingestão de seis nutrientes essenciais para 2,3 bilhões de pessoas que vivem perto de áreas costeiras ou corpos d’água continentais.
O estudo, fruto da iniciativa Illuminating Hidden Harvests (IHH), contou com mais de 800 colaboradores de diversas áreas. Ele destaca que as pescarias de pequena escala têm impacto direto nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, como redução da fome e da pobreza, além de promover a conservação ambiental e a equidade de gênero. No entanto, dois terços dos pescadores não têm autoridade sobre os recursos que utilizam, tornando-os vulneráveis a políticas excludentes.
Regiões como a África e a Oceania têm destaque. A África lidera em captura e nutrição, enquanto a Oceania depende significativamente dessas pescarias para sustento. No entanto, a falta de governança eficaz ameaça a sustentabilidade desses sistemas, que frequentemente têm raízes históricas profundas em suas comunidades.