A poluição por plásticos é um problema crescente, causado pela dependência excessiva de materiais plásticos em embalagens, suprimentos médicos e bens de consumo. O descarte inadequado contribui para o acúmulo de resíduos nos oceanos, seja por despejo deliberado ou transporte fluvial, gerando graves impactos ambientais. A degradação desses resíduos em microplásticos prejudica ecossistemas marinhos e terrestres, afetando organismos vivos ao longo da cadeia alimentar.

No Japão, a posição geográfica no Pacífico Norte faz do país tanto um grande contribuidor quanto vítima dos impactos do lixo plástico marinho. Contudo, poucos estudos focaram na taxa de remoção de resíduos plásticos das bacias hidrográficas japonesas. Para preencher essa lacuna, pesquisadores da Universidade de Ciência de Tóquio conduziram a primeira análise nacional sobre a recuperação de plástico em rios japoneses, com base em dados coletados entre 2016 e 2020 de 109 bacias hidrográficas. O estudo revelou uma recuperação média de 938 toneladas anuais, cerca de 5-10% das emissões anuais de plástico do país.
As bacias dos rios Yodo, Yoshino, Tone, Tama, Oto e Abukuma concentraram cerca de 50% do plástico recuperado, devido à combinação de grandes populações e forte envolvimento de comunidades locais. Além disso, eventos climáticos extremos, como tufões e chuvas intensas, aumentaram os níveis de resíduos coletados, destacando a relação entre mudanças climáticas e poluição por plásticos.

O estudo identificou correlações significativas entre características populacionais, geográficas e os índices de recuperação de plástico. Regiões densamente povoadas apresentaram maior recuperação, mas também maior geração de resíduos, exigindo esforços coordenados entre municípios. A análise também destacou a importância de campanhas de limpeza e da participação ativa da população para mitigar os impactos da poluição.