Marco Andres Vizcaino Garcia é um guia naturalista renomado em Galápagos, com uma trajetória que combina tradição familiar e dedicação à conservação ambiental. Nascido em uma família de pescadores, ele descobriu sua paixão pela biodiversidade das ilhas aos 15 anos, enquanto trabalhava como voluntário em um centro de reprodução de tartarugas gigantes. Após obter uma bolsa integral para estudar biologia na ESPOL, no Equador continental, retornou às ilhas e fundou uma agência de turismo sustentável em 2013, consolidando-se como defensor da preservação local.

Vizcaino destaca os desafios para obter a certificação de guia, que ocorre raramente e com vagas limitadas. Embora isso garanta qualidade no setor, ele teme que o aumento da frequência dos cursos favoreça interesses econômicos de grandes empresas turísticas, prejudicando a sustentabilidade das ilhas. Ele acredita que limitar o número de visitantes é essencial para proteger o ecossistema frágil de Galápagos, além de priorizar que os recursos gerados beneficiem as comunidades locais.
Desde que começou como guia, Vizcaino observou um aumento preocupante no turismo, que passou de 240.000 visitantes em 2017 para 329.475 em 2023. Ele alerta sobre o “greenwashing” no setor, com empresas promovendo práticas não sustentáveis sob o rótulo de ecoturismo. Grandes navios de cruzeiro, com impactos ambientais significativos e equipes majoritariamente estrangeiras, contrastam com opções menores e mais ecológicas.

A pandemia de COVID-19 trouxe impactos drásticos, com a suspensão total do turismo. Embora a pausa tenha permitido a recuperação da fauna, como o retorno de golfinhos e flamingos em áreas antes inabitadas, a economia local sofreu severamente. Vizcaino ficou desempregado por 18 meses, ressaltando a dependência da comunidade em relação ao turismo e a necessidade de um equilíbrio sustentável entre economia e conservação.