Mais de 60 mil toneladas de plástico chegam ao Oceano Atlântico pelo Rio Amazonas todos os anos, sem contar os resíduos acumulados nas margens e os microplásticos ingeridos pela fauna local. Para buscar alternativas sustentáveis, pesquisadores do MIT, em parceria com comunidades da região de Manaus, trabalham no desenvolvimento de bioplásticos produzidos a partir de recursos naturais da floresta.

O projeto faz parte do curso Design de Sistemas Poliméricos Sustentáveis, criado em 2021 e incorporado ao programa Global Classroom do MIT em 2023. Durante três semanas, estudantes da instituição norte-americana viajam a Manaus para trabalhar ao lado de universitários brasileiros, agricultores e pequenos empresários na busca por soluções viáveis para substituir plásticos derivados do petróleo.
Em 2024, o foco do curso foi o uso de materiais da própria floresta para a produção de embalagens sustentáveis. Já em 2025, os alunos irão testar processos de extração de monômeros a partir de plantas ricas em amido. Um dos desafios do projeto é adaptar a tecnologia ao contexto local, garantindo os bioplásticos sejam viáveis e sustentáveis.

Além das atividades em laboratório, os alunos visitam áreas protegidas da Amazônia e o próprio Rio Amazonas, onde observam o impacto da poluição plástica. Também entrevistam agricultores que podem fornecer matéria-prima e fabricantes interessados em adotar novos processos. O curso incentiva o aprendizado interdisciplinar, unindo conhecimentos em engenharia, química, economia e políticas ambientais.
Os organizadores esperam expandir a iniciativa para outras regiões, adaptando o modelo para diferentes contextos ecológicos e socioeconômicos. “Soluções de sustentabilidade precisam ser locais”, explica a professora Desirée Plata. O sucesso do projeto reforça a importância da colaboração entre ciência, indústria e comunidades.