Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Nagoya, no Japão, liderada pelos professores Shogo Mori e Susumu Saito, desenvolveu um novo método de fotossíntese artificial. Eles usaram luz solar e água para produzir energia e compostos orgânicos valiosos, incluindo materiais farmacêuticos, a partir de resíduos orgânicos. Esse método pode ser um grande avanço para a produção de energia e produtos químicos de forma sustentável.

A fotossíntese artificial funciona de maneira semelhante à fotossíntese das plantas, que convertem luz solar, água e CO2 em glicose. No caso dos pesquisadores, eles conseguiram evitar a formação de produtos residuais, criando apenas energia e substâncias úteis. Esse processo é inovador porque usa matéria orgânica e água como matérias-primas, algo que não é comum nesse tipo de tecnologia.
O sucesso dessa técnica, chamada APOS, vem da combinação de dois tipos de catalisadores semicondutores inorgânicos. Esses catalisadores ajudam a quebrar a matéria orgânica residual e a água, gerando compostos orgânicos úteis e hidrogênio verde, que é mais sustentável.

Os pesquisadores testaram a técnica com diferentes matérias-primas orgânicas e conseguiram sintetizar mais de 25 produtos, como álcoois e éteres, alguns dos quais podem ser usados em medicamentos. Um exemplo foi a modificação de um medicamento usado no tratamento de lipídios elevados no sangue. Além disso, essa técnica pode ajudar a reduzir o desperdício, transformando subprodutos industriais em materiais úteis, como acetonitrila.
Esse avanço pode revolucionar a forma como produzimos produtos químicos, oferecendo uma maneira mais limpa e sustentável de usar os recursos naturais. A pesquisa abre portas para novas soluções no setor médico e agrícola, com o potencial de criar materiais e medicamentos sem a formação de resíduos ou CO2.