Pescadores do Lago Chilwa, no Malawi (África), enfrentam dificuldades para gerenciar os estoques pesqueiros, pois muitas vezes capturam espécies indesejadas, como sapos e caranguejos, devido à falta de precisão nas técnicas de pesca. Anderson Thembwa, presidente da Associação de Pescadores do Lago Chilwa, afirma que um novo sistema pode ajudar a resolver esse problema, oferecendo uma forma de medir a quantidade e o tipo de peixe em tempo real. A solução proposta é um robô chamado SOUND, que pode percorrer as águas de forma autônoma e contar peixes sem gerar ruídos que os assustem.

O robô SOUND, desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Haifa, em Israel, utiliza energia solar e é capaz de operar por até cinco dias, realizando medições de peixes e detectando cardumes. Durante os testes no Lago Malawi e em outros locais, o robô mostrou a capacidade de detectar peixes de até 6 cm de comprimento em um raio de 100 metros. A inovação do sistema está na sua capacidade de operar de forma autônoma, sem a necessidade de uma embarcação, e de fornecer dados em tempo real via satélite ou SMS para pescadores e autoridades.
A principal vantagem do SOUND é sua eficiência. Com o robô, pescadores poderiam gastar menos tempo procurando por peixes, sabendo exatamente onde estão. Isso resultaria em menor consumo de combustível, menos desgaste das redes e uma pesca mais controlada, o que ajudaria a evitar a pesca excessiva.

A adoção do robô por pescadores comerciais dependerá de seu custo e da sua eficácia em aumentar a produtividade pesqueira. Para muitos países em desenvolvimento, como o Malawi, as tecnologias de monitoramento de peixes ainda são caras e precisam ser mais acessíveis. O uso do SOUND pode representar uma mudança significativa no gerenciamento da pesca, pois oferece uma solução prática e de baixo custo para monitorar os estoques pesqueiros e ajudar na regulamentação da atividade.