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A geração atual consome mais… ou apenas é diferente?

Alô, amigos da sustentabilidade! Hoje vamos falar sobre um assunto que aparece em praticamente toda conversa sobre meio ambiente, economia e comportamento: afinal, a geração atual consome mais do que as anteriores ou apenas consome de maneira diferente?

É comum ouvir que as novas gerações vivem cercadas por excessos. Basta observar a quantidade de embalagens, aplicativos, aparelhos eletrônicos e produtos disponíveis para chegar à conclusão de que estamos diante da era do hiperconsumo. Mas será que a realidade é tão simples assim?

Quando analisamos os hábitos de consumo ao longo das últimas décadas, percebemos que a questão não está apenas na quantidade de coisas compradas. Muitas vezes, a grande mudança está na forma como as pessoas consomem, substituem, descartam e atribuem valor aos bens materiais.

O consumo de ontem e o consumo de hoje

Quem cresceu entre as décadas de 1960 e 1990 provavelmente se lembra de uma realidade bastante diferente da atual. As famílias possuíam menos objetos, mas utilizavam cada um deles por muito mais tempo.

Uma televisão podia permanecer na sala durante quinze anos. Um rádio atravessava gerações. Geladeiras eram consertadas várias vezes antes de serem substituídas. Sapatos iam para o sapateiro, roupas passavam pela costureira e móveis eram restaurados em vez de descartados.

À primeira vista, isso parece indicar que as gerações passadas consumiam menos. Porém, é importante lembrar que elas também possuíam menos opções disponíveis e enfrentavam limitações econômicas e tecnológicas que restringiam o consumo.

Hoje, o cenário é completamente diferente. A oferta de produtos é gigantesca. A compra pode ser feita em segundos pelo celular. A entrega acontece em poucos dias ou até em poucas horas. O acesso é tão fácil que muitas decisões de compra são tomadas por impulso.

O consumo invisível

Um dos aspectos mais interessantes da sociedade atual é o crescimento do chamado consumo invisível.

No passado, consumir significava adquirir objetos físicos. Hoje, boa parte do consumo ocorre em serviços digitais.

Uma pessoa pode não comprar CDs, DVDs, livros impressos ou videogames físicos, mas paga assinaturas de streaming, armazenamento em nuvem, aplicativos de produtividade, plataformas de música, cursos online e serviços de entretenimento.

Sob o ponto de vista material, ela talvez possua menos objetos do que seus pais possuíam na mesma idade. Entretanto, continua consumindo continuamente.

É uma mudança importante porque parte do consumo deixou de ocupar espaço físico dentro das casas, mas continua demandando energia, infraestrutura tecnológica, centros de dados e equipamentos eletrônicos.

A cultura da atualização constante

Outro fenômeno marcante é a substituição acelerada.

Muitas pessoas trocam de smartphone a cada dois ou três anos, mesmo quando o aparelho anterior continua funcionando. O mesmo acontece com computadores, televisores, relógios inteligentes e diversos dispositivos eletrônicos.

Esse comportamento não está necessariamente ligado à necessidade. Frequentemente, ele é impulsionado pela sensação de estar desatualizado.

As redes sociais ampliam esse fenômeno. Todos os dias somos expostos a novidades, lançamentos e tendências. O resultado é uma percepção permanente de que existe algo melhor disponível.

Não é raro encontrar alguém que troque um aparelho perfeitamente funcional apenas porque uma nova versão foi lançada com algumas melhorias incrementais.

A experiência vale mais que a posse?

Curiosamente, algumas pesquisas comportamentais mostram que muitos consumidores atuais valorizam menos a propriedade e mais a experiência.

Isso aparece em diversas situações do cotidiano.

Muitos jovens preferem assinar serviços em vez de comprar produtos. Em vez de adquirir uma coleção de filmes, assinam uma plataforma de streaming. Em vez de comprar dezenas de CDs, utilizam um aplicativo de música. Em vez de possuir um carro próprio, recorrem a aplicativos de transporte.

Sob determinado ponto de vista, isso pode representar uma redução do consumo material. Por outro lado, também cria novos ciclos permanentes de consumo por assinatura.

O dinheiro continua sendo gasto, apenas em outra direção.

A influência das redes sociais

Talvez nenhum fator tenha transformado tanto o comportamento do consumidor quanto as redes sociais.

Durante grande parte do século XX, a publicidade chegava ao público por meio da televisão, do rádio, dos jornais e das revistas. Atualmente, qualquer pessoa conectada recebe estímulos comerciais praticamente o tempo todo.

Vídeos curtos apresentam produtos. Influenciadores demonstram experiências de consumo. Algoritmos identificam interesses pessoais e oferecem anúncios altamente direcionados.

Isso gera um fenômeno curioso: muitas vezes o desejo de compra surge antes mesmo da percepção de uma necessidade real.

Quem nunca entrou em uma rede social para assistir a alguns vídeos e acabou desejando um acessório, um utensílio doméstico ou uma peça de roupa que jamais havia considerado antes?

O consumo da conveniência

A busca por praticidade também alterou profundamente os hábitos cotidianos.

Hoje, muitos consumidores valorizam produtos que economizam tempo.

É possível comprar refeições prontas, contratar serviços por aplicativo, pedir mercado sem sair de casa e receber produtos na porta poucas horas depois da compra.

Sob o aspecto ambiental, essa conveniência produz efeitos contraditórios. Enquanto algumas soluções podem reduzir deslocamentos, outras aumentam o uso de embalagens descartáveis e a circulação de veículos para entregas.

O resultado depende da forma como cada serviço é utilizado.

Consumimos mais informações do que objetos?

Existe ainda uma dimensão frequentemente ignorada: o consumo de informação.

Nunca na história da humanidade as pessoas consumiram tanto conteúdo diariamente.

Vídeos, notícias, podcasts, músicas, transmissões ao vivo, mensagens e publicações disputam atenção a cada minuto.

Embora esse consumo pareça imaterial, ele depende de uma estrutura física gigantesca composta por servidores, cabos, antenas, equipamentos eletrônicos e consumo energético.

Assim, mesmo atividades aparentemente digitais possuem impactos ambientais indiretos.

O crescimento da consciência ambiental

Nem todas as mudanças apontam para o aumento do consumo.

Nos últimos anos, cresceram movimentos relacionados ao minimalismo, à economia circular, à reutilização, ao compartilhamento e ao consumo consciente.

Cada vez mais pessoas buscam reparar produtos, comprar itens usados, reduzir desperdícios e refletir sobre suas necessidades reais antes de realizar uma compra.

Brechós, marketplaces de produtos seminovos e plataformas de compartilhamento ganharam popularidade justamente porque oferecem alternativas ao modelo tradicional de comprar, usar e descartar.

Esse comportamento mostra que parte da sociedade está questionando antigos padrões de consumo.

Afinal, consumimos mais ou apenas diferente?

A resposta mais honesta talvez seja: os dois.

Em muitos aspectos, a sociedade atual realmente consome mais. A velocidade de substituição de produtos aumentou, a exposição à publicidade se intensificou e a facilidade de compra atingiu níveis sem precedentes.

Por outro lado, também consumimos de forma diferente. Gastamos menos com alguns bens físicos e mais com serviços digitais. Compartilhamos produtos que antes precisavam ser comprados individualmente. Valorizamos experiências que, em gerações anteriores, talvez nem fossem consideradas formas de consumo.

A grande questão para a sustentabilidade não é apenas medir quanto consumimos, mas compreender por que consumimos.

Quando a compra atende a uma necessidade real, ela faz parte da vida cotidiana. Porém, quando o consumo passa a preencher expectativas sociais, ansiedade, status ou impulsos momentâneos, surgem os excessos que pressionam recursos naturais e ampliam a geração de resíduos. Talvez a pergunta mais importante não seja se consumimos mais do que nossos pais ou avós. Talvez seja se estamos consumindo de maneira suficientemente consciente para garantir que as próximas gerações também tenham acesso aos recursos que utilizamos hoje.

Referências (base conceitual):

  • BAUMAN, Zygmunt. Vida para consumo: a transformação das pessoas em mercadoria. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.
  • ELKINGTON, John. Canibais com garfo e faca: triple bottom line do século XXI. São Paulo: Makron Books, 2001.
  • GIDDENS, Anthony. Mundo em descontrole: o que a globalização está fazendo de nós. Rio de Janeiro: Record, 2007.
  • LIPOVETSKY, Gilles. A felicidade paradoxal: ensaio sobre a sociedade de hiperconsumo. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
  • PORTILHO, Fátima. Sustentabilidade ambiental, consumo e cidadania. São Paulo: Cortez, 2010.
  • SENNETT, Richard. A cultura do novo capitalismo. Rio de Janeiro: Record, 2006.

Referências de Vídeo

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